Mexendo em caixas espalhadas em meu antigo quarto me deparei
com fotos de uma parte da minha vida. O primeiro álbum,
escrito em italiano estava lá: ‘La Mia Nascita’ (O Meu
Nascimento). Não era o meu, propriamente dito, mas do meu
filho Andreas. Começava com as fotos de quando eu e meu
ex-marido éramos bebês, a história de nossas famílias, a primeira
ultrassonografia e, por fim, ele no meu colo. Isso, em
apenas uma página. Fui adiante e revivi o cartão entregue pelo
hospital contendo seus dados (3,520kg, 52 cm, hora e data de nascimento: 11h50 min
de 26 de março de 1999). Mais adiante, as dedicatórias do médico que o fez nascer
de parto normal e da enfermeira que me suportou urrando de dor durante 17 horas. A
foto dos bebês enfileirados num único
berço de vidro (seus conterrâneos)
e o início de sua vida: o choro do
primeiro banho, o sono nos braços
do pai, o primeiro contato dele com
meus seios, seu alimento. E fui seguindo
até passar pela primeira papinha,
já com mais cabelos até que
completasse um aninho, caminhando
serelepe por toda a casa. Lindo,
clarinho, faladeiro e muito teimoso,
assim como os pais. Daí em diante
comecei a fuçar e encontrei inúmeros
momentos de sua vida. Entre as
mudanças de cidade, país, estados. Resolvi então, escolher alguns desses tesouros
– até então guardados num baú – e os espalhei pela casa onde moro hoje. Andreas
completou em março 11 anos de vida. Meu bebê já está se tornando um homem. Meu
tesouro. São essas lembranças que talvez nossos filhos não
se lembrem que estão cravadas em nossas memórias de
mães e que, de certo, jamais esqueceremos. Muitas vezes,
quando estamos prontos pra dormir, ele me pede pra
contar algum episódio de quando era pequeno. E, muitas
delas, tenho de contar por várias vezes. Talvez porque ele
mesmo queira resgatar que momento foi esse ou aquele.
Pensando em todo esse tempo em que vivemos juntos
e crescemos juntinhos recebo a homenagem do Dia das
Mães com muito orgulho e prazer. Mas, não seria isso um
tesouro se ele não estivesse na minha vida há 11 anos. Feliz
Dia das Mães! E obrigada, Andreas. Sempre.
Raquel de Melo - jornalista
racademelo@gmail.com