Nada pára o tempo.
Ele passa silencioso e devastador.
Os seres humanos aprenderam a guardar o tempo
em caixinhas que chamamos de dias, semanas,
meses. Criamos um calendário e ficamos
prisioneiros dele. Mas o tempo, ah, o tempo é mais livre do
que supõe a nossa vã filosofia. É mais livre que o vento. Não
dá para aprisionar em caixinhas e usar conforme os nossos
desejos. Nós nos iludimos com as datas, marcamos compromissos,
estabelecemos metas, sempre correndo, esquecendo
que o tempo é uma ilusão física. De real mesmo ficam
as inevitáveis rugas, os cabelos embranquecidos, as fotos
amarelecidas, as lembranças relembradas em conversas que
procuram dar vida ao que se foi.
Não há nada de errado nisso, claro. O passado é
cheio de histórias, algumas nos divertem, outras doem.
O que faz você sair da cama todos os dias? Compromissos
de trabalho? Responsabilidades pessoais como uma
consulta médica, pagar as contas, levar os filhos à escola? Fazer
compras ou realizar uma viagem? Fazendo planos para
amanhã? Amanhã. Depois de amanhã. Mês que vem...
O tempo vai deixando cada um de nós para trás sem
que percebamos.
Todos nós fazemos promessas de melhorar. No próximo
ano, claro. Aliás, neste ano bissexto, com um dia a mais
para você viver. Ou não.
Os brasileiros acostumaram-se a ironizar o que chamamos
de “início do ano”, sempre prolongado por vários
acontecimentos. Depois das longas festividades de natal e
ano novo seguem-se as férias escolares, chega o carnaval,
entra a quaresma, vem a páscoa, logo as festas juninas, férias
no meio do ano, ufa... Quando começa o ano? Sim, quando
se vê já são seis horas, já acabou o ano. O ciclo das estações
marca inexoravelmente o ritmo alucinado
desta passagem das horas, da
primavera ao inverno.
Quais foram as suas promessas
de melhorar? 2008 já começou
para você?
De repente, já são seis horas... |