Certo dia entrei
numa grande loja de artigos variados para comprar um presente de
casamento.
Fiquei desanimado com a quantidade de objetos que tinha para escolher.
Só de copos havia mais de cem opções, de vidro
comum a cristal importado, para água, cerveja, vodca, champanhe
ou vinho, de todas as cores, formas e tamanhos. Fiquei confuso.
Pensei com os meus igualmente cansados botões: cara, se tudo
isso não existisse não faria falta nenhuma para mim
(ou para o mundo). Eu tomaria água numa casca de coco ou
fazendo uma concha com a palma das mãos.
Claro, estou exagerando, mas que o mundo é cheio de desnecessidades
acho que você concorda... Dizem que a “necessidade é
a mãe de todas as invenções”. Ou seja,
na história da humanidade, sempre que o homem teve uma necessidade
– fosse ela qual fosse – ele acabou inventando alguma
geringonça para supri-la. Podemos inverter este provérbio
e dizer que “a invenção é a mãe
de todas as necessidades”.
Faz muito sentido nos dias de hoje. Ninguém precisava do
celular ou do iPod antes de serem inventados. O homem inventou e
virou uma febre. Parece que ninguém mais consegue viver sem
um. Mesmo que nunca vá ouvir as três mil músicas
que cabem no iPod e use o celular para tudo, menos para falar. Sem
considerar que qualquer objeto que você compre numa semana,
na outra surge uma novidade, mais bonita, mais colorida, num tamanho
menor, com mais funções e etecétera. Numa mísera
semana você se transforma de um moderno e atualizado ser humano
em um dinossauro pré-histórico, pensando para qual
museu irá enviar sua última novidade.
Faz parte da natureza humana se sentir incompleto. Por mais que
tenhamos, sempre parece que está faltando alguma coisa. Sei
que a evolução tecnológica é inerente
à raça humana e se ela não existisse ainda
estaríamos andando no lombo de animais e levando seis meses
para receber uma carta escrita em papiro com pena de ganso. Precisaríamos
tomar uma garrafa de conhaque para ficar anestesiado e o médico
serrar a perna gangrenada, estaríamos iluminando as noites
escuras com tochas e parindo dentro de cavernas. Não haveria
cerveja gelada nem sorvete de chocolate. E, Deus me livre, as mulheres
seriam bem mais peludas e bem menos cheirosas!
Sim, demos vivas às invenções humanas!... Mas,
sem deixar de refletir
sobre aquilo que é realmente necessário para a vida
de cada um. Sem contar que, muitas vezes, até nós
mesmos somos desnecessários! |